O ar frio me congelava a ponta do nariz e enrigecia os dedos dos pés quando pisei na rua de fim de tarde aquecido pela pequena multidão que se aglomerava e se dispersava formada pelos trabalhadores carregando pedaços de pão sob braços suados em direção aos lares que já começavam a se iluminar assim como as luzes da cidade para a escuridão noturna de neblima e lua alta sem estrelas e com fogueiras acesas em esquinas como aquela na qual eu observei um tipo boliviano de rosto de carranca e longos negros cabelos que reluziam às lâmpadas dos postes ao lado de sua garota e seu bebê - imagem e semelhança - de pele escura a caminhar do mesmo lado da calçada que a loura de cabelos encaracolados e pernas magras e longas que pavoneava ao passeio sobre saltos agulhas e manchando o filtro do cigarro com o vermelho de seu batom: visão que consumi até o fim, aproveitando a última fatia de soslaio... Caminhei mais um pouco e pensei em como precisava de um trago.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
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