Ela diz que não é de beber muito, que bebe socialmente
Um gole, outro gole e antes que se possa pensar,
o copo está vazio e ele vem com algo mais doce e ela ainda tem discernimento,
diz que prefere assim, e estamos na terceira dose e o papo fica mais à vontade, ela com gestos pesados,
e sorriso fácil, fala de olhos fechados e beberica sem medo,
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levanta o dedo mindinho junto ao copo
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Uma garota bêbada é uma arma carregada
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Engatilhada
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Depois de um mojito ela tem uma folha de hortelã no dente da frente, ainda assim é sexy,
ainda mais com a alça do sutiã caída.
Ela quer conversar, duas ou três palavras, ela quer um papo profundo,
os olhos febris e as bochechas e lábios fervendo em vermelho, ela
cita Freud
quer falar de astrologia e você não dá bola
Ela toma o caminho da digressão e de repente as palavras faltam,
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ela sua,
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e você se aproxima, não aguenta mais e vai tirar com as próprias unhas a hortelã
que insiste nos dentes dela...
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Você está cada vez mais perto e seus olhos estão grudados,
tudo em silêncio e o copo descansa vazio ao lado,
não sem a borda manchada de batom
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Você está quase lá e de repente... Pobre carpete, ela não aguentou,
no ar, o odor azedo; e ela esconde o rosto atrás dos delicados dedos,
você diz que tudo bem, tudo bem, o cacete, ela responde, ela chora, ela não quer mais vê-lo
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Estou cansada, preciso que vá, deixa que eu limpo essa porcaria.
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A gente se fala