domingo, 22 de novembro de 2009

Ela

Alquimias divagava acerca do amor com Brubaker:
- O amor é uma tômbola, amigo. - Fazia uma expressão profunda enquanto proferia as palavras pouco antes de tomar um gole.
A cerveja esquentara, uma mosca mergulhava de asas abertas pelo ar pesado daquele boteco, inundado de fumaça e o cheiro de álcool; antes de o primeiro raio de sol invadi-lo, algumas cabeças ainda eram observadas sob o teto do local. Seus quadris sobre as cadeiras de madeira, os braços apoiados em mesas, também de madeira, cotovelos nus apontados para as laterais, pouca luz e o garçon aguardando com um pano sobre o ombro direito, sujo, com algumas manchas negras. Das cabeças, além de Brubaker e Alquimias e dois ou três velhos bêbados (a quantidade era definida pelo teor etílico do observador) jaziam por ali, apenas duas femininas: maquiagem pesada sobre as maçãs do rosto, uma delas tinha o par de bochechas pintados de rosa, a outra de vermelho, usavam perucas: uma azul e a outra roxa; suas roupas eram coloridas, escassas e grudadas; tomavam absinto e não pronunciavam uma única palavra. As paredes atrás do balcão eram preenchidas por uma infinidade de garrafas, ninguém nunca as pedia. À esquerda do balcão caminhando uns três metros à frente, uma mesa de sinuca sobre a qual um magrelo bêbado passava giz nas mãos e no taco, depois praticava algumas jogadas infrutíferas.
Foi aí que Brubaker, olhando para Alquimias, responde:
- Isso é peta, meu amigo.

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